sexta-feira, 28 de maio de 2010

Capítulo 10- O Adeus à Hogwarts

Com a proximidade do fim das aulas, Harry passou a olhar tudo no castelo com olhos de adeus, era uma sensação muito diferente de dois anos atrás, quando então julgara que estava abandonando Hogwarts definitivamente, naquela ocasião, ele estava cheio de raiva e sentimento de vingança contra Snape, tinha a busca pelas horcruxes e a batalha contra Voldemort pela frente e não tivera tempo para perceber como o castelo era belo com suas escadas que mudavam repentinamente, seus quadros com personagens conhecidos e os Professores tão queridos. Como seria possível viver sem os chás com Hagrid e a visão de MacGonagall que lhe proporcionava tanta segurança?Com a chegada inexoravel do fim de junho, Harry se surpreendeu achando até a voz irritante de pirraça mais amiga e a presença de Nick Quase Sem Cabeça anormalmente calorosa, ele nunca experimentara essa doce nostalgia dos anos passados ali, que agora dominava seus sentimentos. Até mesmo a batalha de Hogwarts, as aulas de Snape e as incursões na Floresta Proibida, haviam perdido a dramaticidade e na sua memória apaixonada, pareciam absolutamente deliciosas. Ele não queria dizer adeus, ainda não estava preparado para fazê-lo, não se sentia realmente seguro para abandonar o ninho e voar. … dificil deixar tudo isto para trás não é? Perguntou Hermione tristonha, provavelmente compartilhando os sentimentos do amigo, numa noite em que Harry se perdia em lembranças, olhando para as quatro mesas das casas durante o jantar.Foi uma sorte que Rony estivesse muito ocupado, se esticando para pegar uma batata na ponta da mesa e Gina se esncontrasse animadamente tagarelando com uma aluna do sexto ano, para que pudessem prestar atenção ao diálogo paralelo de Harry e Hermione, porque o garoto olhando firmemente dentro dos olhos dela, respondeu com um sorriso emocionado:- O melhor eu vou levar junto comigo. E então, os olhos dela ficaram muito brilhantes, repentinamente e sustentando o olhar de Harry, com aquela expressão de compreensão absoluta ela respondeu simplesmente. - Para sempre. No dia que antecedeu o fim do período letivo, todos os alunos do sétimo ano foram chamados na sala de MacGonagall e informados que, naquela noite, após o banquete de encerramento, eles deveriam se dirigir a uma sala no corredor esquerdo do terceiro andar para passarem por uma iniciação. Harry no entanto não conseguira nem prestar atenção nas palavras de MacGonagall, ao contrário dos amigos que ficaram todos muito curiosos com o que lhes aconteceria (nenhum ex-aluno de Hogwarts jamais se referira a nada parecido), girava os olhos pela sala tentando lembrar e fixar na memória a imagem que ela tinha, quando o bruxo de longas barbas prateadas, que agora sorria para ele do quadro atrás da diretora ocupava aquele local. Seus olhos foram, igualmente atraídos por um novo quadro, colocado ao lado do de Dumbledore, de onde Snape, sentado em uma cadeira de espaldar alto e tão imóvel e com o olhar tão... Com o perdão do trocadilho... Severo, parecia até uma pintura trouxa. Por conta da expectativa do que os aguardava, os alunos do sétimo ano, nem mesmo aproveitaram o banquete de encerramento daquela noite.- Será que vamos passar por alguma espécie de exame? Perguntou uma Hermione febril pela décima vez, segundo Rony fez o favor de lembrá-la imediatamente.- Não, deve ser alguma espécie de ritual bruxo. Afirmou Gina.- Deve ser muito secreto então, porque seus irmãos jamais mencionaram nada não é? Perguntou Harry, provavelmente também pela décima vez.- Não. Respondeu Gina simplesmente e novamente cairam na silenciosa espera. Após o jantar, os alunos do sétimo ano das quatro casas se deixaram ficar pelo salão, enquanto os demais seguiam para as salas comunais, já eram dez para a meia noite, quando Filch veio buscá-los para que o acompanhassem ao local indicado.Os corredores de Hogwarts estavam escuros e os quadros totalmente vazios, nem pirraça se fazia ouvir no estranho silêncio que se abatia sobre a escola e até mesmo os fantasmas pareciam estar se escondendo. Instintivamente os alunos se aproximavam dos demais das suas casas e andavam muito juntos. Harry podia sentir Hermione e Gina, uma de cada lado dele estremecendo a cada passo.Ao chegarem a um corredor escuro no terceiro andar de repente uma música que lembrava o canto da fênix se fez ouvir e uma única luz se acendeu sob uma porta há uns vinte metros de distância. Filch resmungando alguma coisa ininteligível simplesmente virou as costas e os deixou sozinhos, todos cochichavam entre si amendrontados e sem aguentar mais aquela espectativa se deviam ou não entrar Harry agarrou a mão de Gina e de Hermione, que por sua vez arrastou Rony e juntos seguiram para a porta, sendo imediatamente seguidos pelos demais. - Boa noite Bruxos. A voz de MacGonagall teve o poder de retirar todo o medo dos ombros de Harry, nada que fosse presidido pela diretora poderia ser, nem de longe, perigoso.A sala estava pouco iluminada, por archotes que davam um efeito amarelo e bruxeleante ao local, todos os bruxos presentes usavam vestes negras e chapéus pontudos e se sentavam ao longo de uma mesa redonda, entalhada com simbolos de runas e com diversos objetos sobre ela, entre eles o velho Chapéu Seletor de onde parecia emanar a solene canção. - Vocês foram chamados a esta sala, porque hoje ganham o direito e a responsabilidade de serem chamados oficialmente de Bruxos. Nada do que ouvirem, virem ou sentirem neste local deverá ser jamais mencionado aos não iniciados. Os alunos permaneceram em pé diante da mesa, onde agora podiam reconhecer também Aberforth, Sprout, Flitwick e Slugorn sentados à mesa onde ainda havia diversos lugares vazios.- Ao me ouvirem chamar seus nomes, empunhem suas varinhas e se aproximem. Continuou MacGonagall solenemente.- Alisson, Brenda!Uma garota da Lufa-Lufa, bonita de longos cabelos acaju, se aproximou da mesa dos profesores, enquanto a Professora Sprout, colocava uma capa negra sobre os ombros da garota e segurava um chapéu de bruxo acima da cabeça da menina, MacGonagall se pôs em pé e erguendo a própria varinha cruzou-a com a da aluna que passou a soltar fagulhas negras.- Pelo poder a mim constituído, eu te declaro Bruxa e detentora dos segredos da magia. Ao descruzar a varinha, as fagulhas forem lentamente parando e a Profa. Sprout, colocou o chapéu sobre os cabelos da aluna e a conduziu para uma das cadeiras vazias na grande mesa dos Bruxos.Codwen, Peter! Slugorn se levantou com uma capa e um chapéu de bruxo nas mãos e enquanto os alunos de Hogwarts iam passando pela cerimônia Harry notou que cada Diretor colocava as capas e o chapéus nos alunos de suas próprias casas e os conduzia à mesa.- Granger, Hermione!A mão de Hermione se soltou da sua e só ai, Harry percebeu que continuara a segurá-la forte durante todo aquele tempo.Hermione se aproximou da mesa com passos vacilantes, empunhando a varinha que uma vez emprestara à Harry, Aberforth colocara a capa sobre os ombros dela e quando MacGonagall cruzou sua varinha com a de Hermione, Harry teve a impressão de vislumbrar uma lágrima nos olhos da diretora. - ...Eu te declaro Bruxa, e detentora dos segredos da magia.Imediatamente irromperam intensas fagulhas vermelhas e douradas da ponta da varinha da garota e quando o Diretor da Grifinória sobrepôs o chapéu de bruxa aos cabelos castanhos e cheios de Hermione a conduzindo à mesa dos bruxos Harry achou que ela parecia mais poderosa e, se é que isso era possível, ainda mais bela. Os alunos ao lado de Harry foram diminuíndo.- Lovegood, Luna!Luna se aproximou da mesa, com o andar saltitante e sonhador de quem estava simplesmente passeando num bosque florido, enquanto Flitwick sorrindo acolhedor, posicionava a capa e o chapéu. Metade dos alunos já se sentara à mesa quando, cedo demais na sua opinião, o garoto ouviu a voz de MacGonagall:-Potter, Harry! Ele se aproximou com uma forte emoção o dominando eanquanto empunhava a sua varinha de azevinho e pena de fênix, e quando Aberforth colocou a capa sobre seus ombros, Harry sentiu o peso de uma responsabilidade desconhecida acompanhá-la, com o coração batendo forte e acelerado o garoto cruzou a varinha com a de MacGonagall e sentiu novamente a mesma sensação da primeira vez que a empunhara, dentro da loja de Olivaras, um calor nos dedos que subiu por seus braços.- Eu te declaro Bruxo, e detentor dos segredos da magia. E então um poder desconhecido e muito mais forte pareceu a emanar de seu ser canalizando-se para a varinha enquanto irrompiam fortes fagulhas vermelhas e douradas da sua ponta, enquanto imagens e sons desconhecidos invadiam seus sentidos. Ele sentiu o chapéu de bruxo descer sobre seus cabelos espetados e sua mente pareceu se clarear sobremaneira, era como se visse o mundo sob uma luz totalmente nova pela primeira vez. Estava formado.Aberforth o guiou até um lugar ao lado de Hermione na mesa dos bruxos e ela o olhou com uma admiração que o encheu de orgulho.- Thomas, Dino!Todos permeneciam em silêncio, enquanto os demais colegas, lentamente se tornavam Bruxos. - Weasley, Ginevra!A ponta da varinha de Gina, sentada do outro lado de Harry, ainda soltava fagulhas laranjas, quando a diretora chamou: - Weasley, Ronald! O amigo se aproximou meio esverdeado, empunhando a varinha de Salgueiro com pêlo de unicórnio e quando Aberforth colocou a capa sobre seus ombros, Harry viu o professor dar um tapinha amigável nas costas de seu aluno preferido, atitude que fez Rony dar um meio sorriso, que devido a seu estado de nervosismo mais pareceu uma careta.-Eu o declaro Bruxo, e detentor dos segredos da magia.A varinha de Rony faiscou fortemente em laranja e uma sensação de alivio passou pelo rosto do amigo, enquanto Aberforth colocava o chapéu sobre seus cabelos ruivos e o levava para o outro lado de Hermione.- Zara, Alexes!E então acabaram-se os alunos, a diretora se levantou e disse para a mesa:- Todos vocês agora, são nossos iguais e esperamos grandes feitos dos senhores!Toda a sala irrompeu em aplausos e todos se abraçaram fortemente, enquanto a mesa se enchia de bebidas e guloseimas e a música dominava o ambiente. A festa de formatura durou até bem tarde e já estava amanhecendo quando os amigos se dirigiram meio cambalenado para a sala comunal da Grifinória. - … lindo o nascer de um novo dia não é? Perguntou Hermione se posicionando na janela para assistir o sol que apontava no horizonte.Harry e Rony, imediatamnte se posicionaram um de cada lado dela.- Sem dúvida. Respondeu Harry simplesmente. - Ah podem parar com isto! Vocês estão muito... Melancólicos. Afirmou Rony desdenhosamente. - Não é um adeus realmente, sempre poderemos voltar aqui!- RONC!! Os três viraram assustados, mas era só Gina que soltava um sonoro ronco adormecida numa das poltronas ao lado, fazendo todos cairem na risada.Harry e Rony, no entanto, nem dormiram, seguiram para os dormitórios somente arrumar as malas que por não terem ouvido o conselho de Hermione, haviam ficado por fazer na noite anterior.As oito horas eles desceram com as garotas para tomar o café da manhã e aguardar no grande salão, repleto de malões, alunos e bichos de estimação, as carruagens de testrálios que os levaria até a estação de Hogsmead.Os alunos do sétimo ano de todas as casas, pareciam compartilhar com eles o estado de sono e ressaca que não deixava espaço para mais conversas ou despedidas e quando a carruagem chegou, eles conseguiram uma só para os quatro e meio dormindo uns nos ombros dos outros, sacolejaram pela última vez pela estrada em direção a Hogsmead que aquela hora da manhã estava começando a abrir as lojas, Harry olhou para os lados da Casa de Chá de Cho, mas não viu nada além da fachada ainda fechada do estabelecimento. O expresso de Hogwarts já começara a apitar na estação, quando Harry viu, se aproximando por entre a fumaça, a figura inconfundível de Hagrid sorrindo para ele.- HAGRID! Harry se aproximou do amigo retribuindo o sorriso. - Achou que eu não viria me despedir eh? Disse o gigante que dando-lhe um abraço de quebrar os ossos.- Rony, Hermione, tudo bem?- ”timo! Respondeu Rony.- Não poderia estar melhor! Completou Hermione. - Então, agora são bruxos formados hein!! Disse o gigante com grande admiração e Harry sentiu uma leve tristeza ao lembrar que o amigo jamais se graduara em Hogwarts, graças a Ridlle que provocara a sua espulsão.-Ah, não é nada de mais! Disse o garoto balançando a mão como se espantasse uma mosca. - Hagrid, ouça, estarei no Largo Grimmauld, n.º 12, quero que vá me visitar! - Tá, tá, tá bem, agora entrem logo ou vão ser deixados para trás!!Realmente a grande locomotiva vermelha já começava a se movimentar quando Harry pulou para dentro, quase caindo e sendo seguro pelas vestes por Rony.-Vamos procurar uma cabine então. Perguntou Gina impaciente.- … melhor irmos logo ou não sobrarão lugares para os quatro juntos. Afirmou Hermione. Eles encontraram lugar uma cabine no final do trem, onde Luna e Dino, jogavam uma partida de Snap explosivo. Quando Harry se sentou próximo a janela pôde ver o castelo de Hogwarts sumindo no horizonte. Harry deve ter dormido logo depois, porque quando acordou meio sobressaltado, já se ouvia a voz da bruxa com o carrinho de lanches no corredor, Rony se levantou de um salto e fez questão de comprar uma refeição enorme para todos da cabine, com o próprio dinheiro e então após se fartarem de sapos de chocolate, varinhas de alcaçuz e feijõezinhos de todos os sabores, os garotos foram trocar as vestes por jeans e camisetas.Logo o trem havia parado e eles desciam, arrastando, os malões, a gaiola de Pichí, a de Arnaldo e a cesta de Bichento que esperneava revoltado, e quando Harry finalmente saiu em companhia de Gina já encontrou Rony e Hermione, parados na plataforma, conversando animadamente com o Sr. e a Sra. Granger.- Papai!! Mamãe!! Exclamou Gina, disparando correndo para o Sr. e a Sra. Weasley que vinham caminhando rapidamente pela plataforma, Rony logo avistou os pais e se juntou a Gina, Harry então se aproximou do Sr. e da Sra. Granger que pareceram encantados em revê-lo.- Olá querido, bom período letivo? Perguntou a Sra. Granger com um sorriso que lembrava o da filha.- Muito bom! Hermione.... Harry aproveitou o momento, enquanto os Weasleys se aproximavam para segurando o braço da amiga, falar em voz baixa. - O que eu disse para Hagrid, você já sabe, serve para você também! Não vou te perdoar se não aparecer hein !?! Pelo menos no meu aniversário! -Claro que vou aparecer, afinal temos que fazer as incrições para ... Mas a garota calou-se porque Rony e os outros Weasleys vinham se aproximando.- Harry! Meu genro preferido! A Sra. Weasley o arrebatara num caloroso abraço, enquanto o Sr. Weasley cumprimentava alegremente Hermione e seus pais. - Bem, nós já vamos indo. Disse Hermione a Rony. -Até logo, me escreva. E deu um beijo de leve nos lábios do namorado, abraçou o Sr. e a Sra. Weasley e deu um beijo no rosto de Gina e de Harry, virando-se com os pais deixando a plataforma. - Você não quer ir direto para a Toca conosco? Continuava a Sra. Weasley. - Coitadinho, vai ficar tão só naquela casa sombria de Sirius!!!- Não, obrigada Sra. Weasley, tenho muitas coisas para resolver na minha casa ainda. Ele respondeu sorrindo. -Mas vocês estão convidados a me visistar, todos vocês, sempre!Gina o abraçou e chapando-lhe um beijo cinematográfico falou:- Claro que vou te visitar meu bem, você acha que eu vou te deixar por ai dando bobeira, para qualquer oriental oferecida te pegar? Harry percebeu o constrangimento de todos os presentes, principalmente do Sr. e da Sra. Weasley.- Bem vamos então? Cortou Rony, dando um grande abraço em Harry. - A gente se vê cara!- …, espero que sim. Respondeu Harry e então os Weasley se despediram e também sumiram pela plataforma. O bruxo no colhetor de bilhetes, pareceu a Harry muito mais velho do que da primeira vez que o vira oito anos atrás, ele logo liberou Harry que passou pela barreira da plataforma 9 3/4 e olhou em volta, estava só em King Cross, mas não se sentia solitário e nem abandonado, ao contrário, se sentia feliz e e cheio de planos para o futuro. No caminho para a Sua Casa, ele compraria algo para Monstro, certamente o Elfo não se recusaria a fazer um empadão de carne e rins para Harry comer mais tarde.

Nenhum comentário:

Postar um comentário