sexta-feira, 28 de maio de 2010

Capítulo 6 - A depressão

A semana seguinte começou com os testes de quadribol, mas Harry decidira realmente abdicar do cargo de capitão do time, apesar de desejar continuar na equipe.-Tem certeza Potter? Você gostava tanto de quadribol... Disse a diretora parecendo penalizada, quando o garoto a procurou para informar sua decisão.- Vou continuar a jogar professora... Quer dizer se eu bater os outros apanhadores nos testes. Completou ele desanimado, ultimamente sua autoconfiança estava tirando férias prolongadas. - Só não quero mais ser o Capitão.- Claro que baterá os outros apanhadores nos testes, Potter!!! A diretora o olhava com severidade, parecia ter tomado como ofensa pessoal a suposição de que ele não era o melhor apanhador da casa, devia ser porque fora ela que descobrira o talento de Harry no primeiro ano em Hogwarts. - Espero que sim. Respondeu ele sem convicção. - Você me parece deprimido Potter, nem parece a mesma pessoa...Tem havido coisas muito estranhas nesta escola, que eu não estou entendendo. O Professor Aberforth tem relatado que a Srta. Granger, vem encontrando dificuldades nas aulas de transfiguração e ela sempre foi a melhor aluna de Hogwarts nesta matéria, e agora você não quer mais ser o Capitão da equipe de Quadribol...Vocês...você quer conversar sobre isso? Quer me contar algo Potter? Não estou querendo assumir o papel de Dumbledore na sua vida, mas se quiser...- Eu...Eu estou bem professora. Respondeu o garoto firmemente olhando para o chão. – Só estou um pouco cansado...de tudo...não quero mais ter que ser responsável por...nada.- Tudo bem, tudo bem então. Você é quem decide. Mas não se esqueça que podemos fugir de tudo, menos de nós mesmos, da nossa verdade, nada é melhor do que assumir nossos sentimentos e lidar com o que vier de bom e de ruim decorrente disso.Mas vendo que o garoto permanecia impassível ela pareceu desistir:- Ok, ok não vou dizer mais nada, aceito sua decisão. Você tem alguma sugestão de quem possa assumir seu cargo a contento?- Tenho. O Rony Weasley. - O...o Weasley? Ela parecia assombrada. -Ah bom, tudo bem então se você acha isso...é coerente ele é o jogador mais velho do time e monitor chefe...Mas ela permanecia olhando-o incrédula.- Posso ir professora?- Pode, pode, está dispensado. Gina ficou absolutamente desgostosa por Harry não ser mais o capitão de Quadribol da Grifinória, embora ele conseguisse o lugar de apanhador, como MacGonagall previra. A namorada também se irritava pela inexplicável melancolia de Harry, nada a deixava mais brava que tristeza, fraqueza ou feiúra. Ela esperara talvez que Harry sempre correspondesse a imagem de herói que ela construíra dele, pois afinal era só esse cara que merecia namorar a garota mais popular de Hogwarts. Rony realmente havia sido nomeado pela Diretora MacGonagall, Capitão do Time e somando isso ao seu cargo de Monitor Chefe e o fato de namorar Hermione linda, nos auge dos seus dezoito anos e segundo os pensamentos incessantes de Harry a menina mais inteligente e legal do mundo, o garoto não podia deixar de lembrar que Rony tinha realizado todos os seus sonhos... ficava feliz pelo amigo, mas as vezes lhe batia uma tristeza inexplicável e ninguém conseguia tirá-lo dela. Com o decorrer do trimestre Harry sentia-se cada vez pior em relação ao namoro dos amigos, tentava por tudo no mundo se controlar, mas era complicado, ele sofria muito com a falta das conversas, dos cuidados e da atenção exclusiva de Hermione e não podia deixar de se sentir deixado de lado, encostado num canto, pois só podia encontrá-la, sempre acompanhada de Rony e Gina, nas aulas, nas refeições ou nas reuniões do F. A. L. E., que agora ele freqüentava, junto com metade da escola, já que a idéia se tornara muito popular. Com Gina, bem, Gina vivia em outro planeta, eles viviam um namoro baseado em atração física, eles não tinham qualquer outro interesse ou assunto em comum além de quadribol, ele ainda a achava brutalmente atraente (e não era o único, todos os garotos da escola lançavam olhares gulosos para ela quando ela passava, e ela parecia se exibir mais ainda quando isso acontecia, provavelmente imaginando que assim Harry sentiria ciumes e se acharia o cara mais sortudo do mundo por tê-la ao lado), mas os ciúmes dele por ela passara há muito tempo, fazia parte de um Harry pré guerra, pré Floresta do Deão, que já não existia mais, as vezes imaginava se ela poderia ser capaz de ficar com outros enquanto estava com ele, e se surpreendia se sentindo culpado por não sentir emoção alguma com essa idéia.Após algum tempo de uma depressão intensa, Harry começou a sentir uma leve revolta contra Hermione. Porque ela não podia mais ficar perto dele sem a presença de Rony ou Gina? Porque fugia de qualquer toque do garoto? Porque parecia não se importar mais com os deveres ou os sentimentos de Harry? Ela não era a única garota no mundo, ele provaria isso para si mesmo. E então Harry, passou a reparar nas outras garotas da escola...Tinha muitas oportunidades, afinal ele era muito famoso e mesmo namorando Gina, ainda era o garoto mais desejado da escola, então saiu secretamente com Romilda Vane, uma aluna do sexto ano da Grifinória, que sempre tivera um fraco por ele; Anete Windson uma aluninha do terceiro ano, também da Grifinória e até com outras alunas deslumbradas das outras casas. Por conta das escapadas de Harry, na Festa do Dia das Bruxas daquele ano, houve uma briga de tapas e puxões de cabelo entre Gina e Romilda, que acabou com as duas detidas na sala da MacGonagall e Harry se sentindo extremamente mal com o olhar de decepção que Hermione lhe lançava, enquanto ela e Rony consolavam Gina na sala comunal, após ela voltar da sala da diretora. Harry se desculpou com a namorada, dizendo que Romilda era desequilibrada e que não tinha a menor idéia de porque ela dissera aquelas coisas horríveis, então eles fizeram as pazes e Harry resolveu maneirar em Hogwarts, o que não o impediu de utilizando-se da capa da invisibilidade fazer diversas visitas a Cho em Hogsmead. Mas Harry, apesar de tentar desesperadamente e procurar em diversas garotas não conseguia esquecer Hermione, o perfume, o seu toque e quando ela estava por perto, sempre com Rony a tiracolo e Gina junto, ele ainda sentia seu coração tentar escapar pela boca como um pássaro preso numa gaiola. Por isso não terminava o relacionamento com Gina, era só por causa da namorada que Harry ainda tinha oportunidades de manter-se bastante próximo de Rony e Hermione. E bem, não se importava muito com quem realmente estivesse namorando, já que não podia ser ela, qualquer outra, era só outra!As vezes isso o enlouquecia, o fato de Mione ter estragado todas as outras mulheres do mundo para ele. E ao pensar nisso, as vezes nem conseguia dormir.
Era uma dessas ocasiões, numa noite em que cansado de tentar dormir sem sucesso, Harry resolvera descer até a sala comunal. Estava parado, olhando a neve que caia através da janela e pensando em como gostaria de ver seus pais novamente, mas não apenas ver, como no espelho de ojesed, no cemitério quando houve o priori incataten entre a varinha dele e de Voldemort ou com a pedra da ressurreição. Ele queria tocá-los, nesse momento, particularmente, ele sentia uma necessidade absurda de um abraço da sua mãe e do seu pai, de um carinho puro e inocente, ele se sentia meio contaminado, com tudo que andara aprontando ultimamente, todos aqueles corpos e bocas que tocara sem amor ao invés de aliviarem sua carência a tornavam mais cruel e dolorida. - O que você está pensando? Ele ouviu uma voz baixinha e não pode acreditar que não era um sonho.Harry se virou devagar e ao olhar para o lado, viu Hermione com um olhar triste, olhando-o fixamente, da escada do dormitório feminino.- E-eu não sei... Nada importante... – mentiu ele. - Mentiroso... – retrucou ela simplesmente, se aproximando dele séria. – Você estava pensando neles não era?- O qu...-Seus pais...? –ela encorajou. Vindo de qualquer outra pessoa, Harry se surpreenderia se ela descobrisse o que ele estava sentindo... Entretanto, aquela não era a primeira vez que Hermione o fazia... Harry se sentiu derrotado, e pela expressão da garota ela percebera. – Eu aposto que você sente saudades deles não é? – perguntou ela encarando –o nos olhos. - Eu suponho que não dê pra sentir saudades do que nunca se teve Hermione... – retrucou Harry pensando em outras coisas que jamais tivera. - Pois eu suponho que sim... – ela disse baixando a cabeça.- As vezes eu sinto uma saudade estranha de coisas que nunca aconteceram...Você entende? - Completamente. Ele confirmou sério olhando para ela hipnotizado. -… uma...espécie de nostalgia do que podia ter sido? E observando a mão esquerda dela Harry pôde ver sob a luz da lareira a cicatriz dos cortes feitos por Edwiges anos atrás. – Seria tão mais fácil se... - Harry...porque...Mas parecendo repentinamente arrependida do que ia falar ela completou. - Bem vamos buscar um pouco de comida na cozinha???Ele não queria ir buscar comida na cozinha, queria beijá-la naquele momento, queria chorar no ombro dela, queria dizer que sentia tanta falta dela que parecia que tinha um buraco no lugar do coração e que se as coisas entre eles continuassem como estavam ele tinha certeza que ia morrer sangrando de dor.Mas ele faria qualquer coisa que a mantivesse por perto, ainda que fosse ajudar Filch a azeitar correntes, ajudar Hagrid dar banho em explosivins ou tricotar gorros para elfos domésticos, desde que pudesse ficar perto dela só mais um pouquinho e então mentiu simplesmente:- Vamos claro, estou morrendo de fome. Os elfos os receberam na cozinha, como sempre felicíssimos em ajudar, mas Harry não viu Monstro ali, devia estar cuidando do Largo Grimauld que ele tanto amava, e Harry percebeu surpreso que pela primeira vez na sua vida ele também, sentia saudades da sua casa. Ao voltarem pelo buraco do retrato a sala comunal permanecia vazia e eles se sentaram no chão sobre o tapete - Nossa nem quero pensar o que nos aconteceria se Filch tivesse nos encontrado. Ela dizia assustada, parecendo ainda a garotinha de onze anos que ele conhecera. Ele riu:- Eu bem que gostaria que ele tivesse nos encontrado, essa escola tem estado um tédio... - Você não está bem da cabeça? Perguntou ela severa. Ele olhou-a divertido:- Medrosa...- Doente. - Covarde... – retrucou ele novamente.- O que? Dá licença, mas eu acho que ser corajoso não significa ficar por ai se metendo em encrencas.- Que seja...– Então... O que os elfos conseguiram pra gente?- Um monte de coisa. – respondeu ela ainda contrariada estendendo-lhe uma garrafa de suco de abóbora. -Tome. – disse ela, entregando a Harry uma tortinha de caramelo. – Achei que você fosse gostar...- Você se lembrou...Obrigado... – um silêncio de paz recaiu sobre os dois novamente, só com Hermione ele podia ficar horas perto, sem trocar uma palavra e sem se sentir estranho ou desconfortável com isso, sentia tão feliz a sós com ela, como se tudo o que o resto do mundo estivesse passando estivesse muito longe para tocá-los. E após alguns minutos, que pareceram uma maravilhosa eternidade para Harry, foi ela quem quebrou o silêncio:- Nós não nos divertimos mais como antes né... Quero dizer... Nós três...agora quatro porque tem a Gina.Harry não soube o que dizer... Abrindo a boca, ele fechou-a novamente, por falta de palavras. - Eu sinto falta disso... Harry não soube mais uma vez o que dizer. Talvez ele devesse a ela desculpas...ou...Ele se aproximou tocando-lhe de leve os cabelos.- Hermione... eu...- Harry, não estou... - Não, ouça, eu só... – tateou ele sem saber como se explicar.- Não. Não diga... – cortou ela parecendo melancólica. Levantando-se repentinamente. – Eu só... Eu queria que as coisas entre nós fossem como antes, só isso... - Bom, as coisas mudaram Hermione. – retrucou ele, soando mais rude do que pretendia.- … mesmo? – se voltou ela novamente, agora irônica, não me diga. - Eu... - “Eu” o que? – cortou ela, parecendo agora à beira das lágrimas. – Eu não sei você Harry, mas eu sinto falta das coisas como eram antes, quando éramos...apenas... nós, quando podíamos ser apenas nós mesmos ... estou cansada de me sentir pressionada e cobrada mais do que eu posso oferecer, estou cansada de ser seguida por essas gárgulas do profeta diário em qualquer lugar, de me sentir vigiada até aqui na escola e ter que me policiar o tempo todo para ser o que esperam de mim (Harry a entendia perfeitamente, também se sentia assim) - Hermione... – tentou ele avançando para abraçá-la em prol de acalmá-la. Mas ela fugiu subitamente dos seus braços.- Você sabe que isso foi um erro não é? – retrucou ela.-O que? – perguntou Harry confuso.- Isso! Ficar aqui com você! – respondeu ela. - as pessoas vão entender errado se souberem.-Quais pessoas? O seu namorado? Perguntou ele com amarga ironia na voz.-Ou a sua namorada Harry...Ou..ou as suas admiradoras...ou a Rita Skeeter!! Respondeu ela no mesmo tom.-Só com essa última eu fico realmente preocupado! – retrucou Harry.E ela olhou-o pasma, em um minuto no entanto, eles cairam no riso.- Não, sério, Harry, melhor irmos nos deitar. A garota disse se levantando preocupada após um tempo, está tarde e se alguém nos vir aqui...- Só vamos dormir se você me prometer uma coisa. Harry disse segurando o pulso dela firmemente. - O quê? - Que vai parar de tentar agir como se eu não fizesse parte da sua vida.- Harry eu...- Eu sei Mione, não precisa dizer nada, eu sei que as pessoas estão sempre inventando coisas a nosso respeito e que isso incomoda você...- Não é isso, não me incomoda eu só...Acho que... Lembra, lembra seu namoro com Cho? Não quero atrapalhar sua vida Harry.- Mas você não atrapalha a minha vida...Você...Harry queria dizer "Você é a minha vida" mas o medo de assustá-la ainda mais o fez completar apenas - Você é a minha melhor amiga, não tem sentido nos afastarmos por quem quer que seja, se as pessoas falarem, bem que falem!!! As únicas pessoas que realmente têm algo com isso, sabem que...Somos como irmãos não é? Ela permaneceu em silêncio olhando nos olhos dele, Ele insistiu, na verdade apenas para resistir ao impulso de beijá-la:- Não é Mione?- …. Ela completou baixando os olhos.- Então? Posso te abraçar agora?Ela sorriu entre lágrimas e ergueu os braços para ele, que a apertou forte contra o peito girando no mesmo lugar, se sentindo novamente vivo, pela primeira vez em meses.

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